segunda-feira, outubro 30, 2006

Símbolos


Quanto vale a foto daquela passagem de ano perfeita, onde tudo correu como um sonho?
E o bilhete daquele concerto inesquecível, que religiosamente guardamos naquela nossa gaveta privada?
Que valor têm os objectos que guardamos como símbolos de algo que nos marcou numa determinada altura da nossa vida?
Também podemos falar de diplomas, de pequenas lembranças de cidades de férias, assim como o talão da compra de algo importante.

E quando recebemos esses símbolos? Por exemplo, receber um relógio no aniversário, ou um anel a marcar uma determinada data.

Normalmente, quando o objecto, funciona como um destes símbolos, acrescido de o termos recebido como oferta, reforça a nossa ligação e proximidade ao mesmo.
A cumplicidade com o símbolo, é equiparada à nossa relação com quem nos a ofereceu.
Aquelas meias que recebemos da Tia 3, nunca vão ter o mesmo valor que aquela carta de amor escrita a mão, ou aqueles brincos que foram oferecidos para marcar 1 ano de namoro/casamento.

Toda a gente concorda, que o amor de Mãe, é superior a qualquer outro. O que podemos encontrar em todas as carteiras de Mãe? Fotos.
Fotos dos filhos, talvez do marido, de irmãos, mas sempre símbolos.

Eu penso que quando damos atenção a um símbolo, e lhe dedica-mos um pouco de carinho, estamos basicamente a dar e receber, onde o símbolo funciona como um espelho onde mutuamente duas, ou mais pessoas, podem estar sobrenaturalmente ligadas.

Decidi escrever sobre estes símbolos, não por ser extremamente agarrado as coisas materiais, mas por sentir e viver estas ligações há já tanto tempo sem nunca me ter apercebido que nos podiam fazer tão bem.

quarta-feira, outubro 18, 2006

O Maravilhoso Mundo da Chuva


Os milhões de curiosos olhares nas janelas
Duas crianças aos pulos, naquele pequeno charco na rua
O prazer do quente conforto das nossas casas
Alegria daqueles amigos a partilharem o guarda-chuva

A sensação de impotência e pequenez
O frio, o vento, o mundo molhado
O medo, a loucura e a insensatez
De arriscar tudo para ir a algum lado

Casacos, blusões e botas do armário
Preocupações, espirros e conselhos a seguir
Para o pobre, o rico, e o milionário
O Inverno está começar a sorrir…

sábado, outubro 07, 2006

Vitaminação

È como ter uma peça de fruta que amadurece como o vinho do porto.

Poder colhê-la, cheira-la, e mesmo prová-la, e constatar que está cada vez mais fresca e suculenta.

Uma mistura de vitaminas, que não nos alimenta apenas o estômago.
Um prazer, um vício, uma continuada procura em elevar todas as fasquias.
A cumplicidade das papilas gustativas com o toque na fina pele da casca.
A boca, as mãos, os sentidos a funcionarem em conjunto, até ao apoteótico adormecer nas escuras caves, relaxando ao lado do tempo, que continuadamente vai melhorando e apurando todo o paladar de uma única peça de fruta…