quarta-feira, agosto 30, 2006

Paredes de Coura - um mundo à parte

Viver Paredes de Coura, é como sentir-nos parte de uma nova sociedade, onde as regras e os costumes, os limites e tradições, são totalmente distintos, do por todos nós considerado, normal.

Um mundo de excessos, onde reina a diversão e o convívio.

Faz lembrar o “Neverland” do Peter Pan, onde é proibida a entrada aos “velhos” e a quem não goste de se divertir.

Desde a escolha da roupa, onde o mais anti-social é moda, até aos penteados e adereços, marcam a diferença, criando não um ambiente de Anarquia, mas sim uma crítica irónica e um “escape”, às obrigações\descriminações impostas pela nossa sociedade.

Escrevi, um mundo de excessos, porque toda a gente tende a esforçar o seu corpo ao limite de tudo que possa acelerar a euforia, o relaxamento, e a clara diminuição da inibição.

As drogas e sobretudo o álcool, têm claramente um papel importante para que esse objectivo seja atingido.

Tenho a consciência que passar essas atitudes, para o dia-a-dia, seria como passar um atestado de diminuição da nossa vida útil.

O corpo nesse curto espaço de 3 a 5 dias, é sujeito a um esforço suplementar, mas em compensação, temos sempre outros 360 dias para nos por em forma.

Estou a falar de um conjunto de pessoas nunca inferior a 20mil, o que faz com que encontremos advogados e empregados de armazém, ricos e pobres, a conviverem sem discriminação de qualquer nível, com o objectivo comum, de passar um bom bocado.

Nunca assisti a nenhum desacato sério, nem confusão digna desse nome.

È como ir a uma festa, e no final da noite, toda a gente vai embora para a mesma casa.

No fundo somos todos vizinhos, e partilhamos juntos a experiência de acampar, de cozinhar, basicamente, viver numa “tribo”, com um único objectivo comum, que é o de passar um bom bocado.

No meio do sentimento de entreajuda, criamos laços pessoais entre nós muito fortes, por partilharmos todos os momentos de euforia, assim como todas as dificuldades.

A dificuldade mais temida, mas apreciada por muitos, é a Chuva.

A chuva, faz imensas mossas, mas aproxima sempre as pessoas, quer seja, debaixo daquela árvore, ou mesmo, dentro de tenda alheia.

Quando faz sol, juntamente com o verão, o calor, propaga um clima de amor, poderoso, sendo facilmente reconhecido pela proximidade entre sexos, assim como os sons abafados pelas finas paredes das tendas.

Engraçado já ter escrito tantas linhas sobre PDC e nem ter falado da música e dos concertos.

Sou um Fã incondicional deste festival, por isso, convido todos a experimentar este conjunto de sensações únicas e descobrir pessoalmente tudo, o que eu ainda não falei, sobre fazer parte de uma moldura humana, num recinto natural para concertos, como Paredes de Coura.

Beijos e Abraços, para todo o pessoal que lá conheci, de Santo Tirso, Santa Maria da Feira, e mais recentemente, Leiria!


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